Uma breve “biografia oficial” de Charles Manson

Para aqueles que não conhecem a história de Charles Manson, o criador do acrônimo ATWA, aqui vai uma breve biografia. É importante reconhecer, porém, que a vida de Manson foi muito polemizada. Isso dificulta muito separar o que são fatos e o que são mitos. Portanto, chamamos essa breve biografia abaixo de “biografia oficial”, uma vez que ela é baseada no que se tornou mais conhecido e aceitável como “realidade” – pelo menos pela mídia e a maioria das pessoas. Em momento algum sugerimos que a história abaixo é inteiramente fatual. Quando possível, citações do próprio Manson serão utilizadas para dar credibilidade aos fatos.

Charles Milles Maddox Manson, nascido em Cincinnati, nos Estados Unidos, em 11 de novembro de 1934, se tornou conhecido no final da década de 1960 por ser uma figura particular relacionada a um grupo de jovens que cometeu vários assassinatos, entre eles o da famosa atriz de Hollywood, Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski.

Charles Manson com 14 anos de idade

Charles Manson com 14 anos de idade

Filho de uma jovem mãe com problemas familiares e um pai ausente, Manson passou a ser um freqüentador assíduo de reformatórios juvenis em diversas regiões dos Estados Unidos. “Eu não tinha mãe e eu não tinha um pai. Aonde você vai quando você não tem uma família?” disse Manson, explicando a sua infância nos reformatórios. Ainda quando criança, ele foi entregue a um abrigo de crianças por sua própria mãe. Esse foi o começo de uma infância conturbada. Entre suas diversas saídas e fugas dos reformatórios, Manson foi preso algumas vezes pelos crimes de falsificação e pequenos furtos.

Manson em meados de 1960

Manson em meados de 1960

Em 1964, aos 30 anos de idade, Charles Manson acabava de cumprir uma pena de dez anos quando foi parar no centro mundial da cultura hippie: Haight-Ashbury, um distrito da cidade de São Francisco. Manson se considerava um “hobo”, termo em inglês usado para designar os migrantes sem lar fixo, que vagavam pelo país comendo do que encontravam e dormindo onde se sentiam cansados. Fora da prisão, Manson acabou por se instalar na região de Haight-Ashbury, e tornou-se conhecido entre os círculos de jovens hippies. Manson era um excelente compositor musical, e vivia com seu violão pelas ruas de São Francisco. No auge da contracultura, Manson se tornou uma figura conhecida entre os jovens, que o seguiam para conhecer a sua música e seus costumes peculiares.

Foi tocando as suas músicas nas esquinas de Haight-Ashbury que os jovens hippies adotaram Manson como um ícone. É importante deixar claro, porém, que Manson nunca se considerou um hippie. “Eu era um beatnik na década de 1950, antes de os hippies existirem. Eu dancei ao som de Acapulco, e eu fumei Acapulco antes de vocês saberem o que isso era. E eu vivi nas tumbas […] enquanto vocês iam para a escola. Você vê? Eu vivo em outro mundo. Eu vivo no mundo das pessoas das ruas”, disse Manson em uma entrevista na década de 1980. Manson saiu da prisão e voltou ao “mundo de fora” no auge da cultura hippie, e pouco sabia sobre como as coisas haviam mudado durante o longo período em que ele permaneceu isolado da sociedade. Foi com a sua música que os hippies abraçaram Manson.

A "Família Manson" no Spahn Ranch

A "Família Manson" no Spahn Ranch

Em função de troca de favores, Manson e seus jovens amigos hippies conseguiram um local para morar próximo a Los Angeles. Eles se alojaram no Spahn Ranch, um rancho onde foram gravados filmes famosos de faroeste, como Duelo ao Sol, e diversas cenas de séries de TV, como Bonanza e Zorro. Um cenário de cidade do oeste permaneceu instalado no rancho durante a estadia de Manson e seus amigos na década de 1960. O Spahn Ranch recebeu esse nome de um fazendeiro, George Spahn, que comprou a propriedade em 1948 e lá vivia em 1968, quando Charles Manson apareceu procurando um local onde pudesse morar. O Sr. Spahn permaneceu morando no local junto com Manson e seus amigos. Em troca de o grupo ajudar o já debilitado Sr. Spahn com o trabalho puxado do rancho, eles puderam se hospedar em uma das casas do local.

Mais de um ano depois, em 9 de agosto de 1969, um grupo de amigos de Manson invadiu uma casa alugada pelo diretor de Hollywood, Roman Polanski, em 10050 Cielo Drive, na região de Bel Air de Los Angeles. Os jovens assassinaram a esposa de Polanski, Sharon Tate, e mais quatro amigos do casal. As vítimas foram baleadas, esfaqueadas e espancadas até a morte, e o sangue delas foi usado para escrever mensagens nas paredes e porta da residência. Uma das escrituras foi “Pig” (”porco”, em inglês). Na noite seguinte, o mesmo grupo invadiu a casa de Rosemary e Leno LaBianca, matando os dois de maneira semelhante. As mensagens escritas na parede da casa com o sangue das vítimas dessa vez foram “Helter Skelter“, “Death to Pigs” (“morte aos porcos”) e “Rise” (“levante-se”). Os assassinatos de Sharon Tate, seus amigos e do casal LaBianca pela ficaram conhecidos como Assassinatos Tate-LaBianca.

Porta da casa de Roman Polanski com escritura "Pig"

Porta da casa de Roman Polanski com escritura "Pig"

Segundo a acusação e a “história oficial”, baseados em testemunhos dos amigos de Manson que cometeram os crimes, os assassinatos teriam sido planejados por Charles Manson. O objetivo seria começar uma guerra que, segundo a teoria, seria a maior já travada na terra, denominada “Helter Skelter“. A “história oficial” indica que esse nome corresponde ao título de uma música dos Beatles onde haveria uma quantidade de mensagens subliminares. Charles Manson, porém, já explicou em diversas entrevistas que para ele “Helter Skelter” significava somente “confusão” – era o que ele ouvia na música dos Beatles, barulheira e berros, e o que ele via nas ruas dos Estados Unidos. Durante o julgamento do caso, a acusação formalizou uma história em que, para Manson, “Helter Skelter” seria uma guerra entre negros e brancos, em que os brancos seriam exterminados da Terra. Nesse contexto, ao enviar seus amigos para cometer os assassinatos, devido ao caráter racista dos Estados Unidos, algum negro seria acusado pelos assassinatos, o que faria com que os confrontos explodissem pelas ruas. Como Manson e sua “família” eram todos brancos, planejavam esconder-se em um poço, supostamente denominado por Manson como “poço sem fundo”, em algum lugar no deserto californiano, assim que a suposta guerra começasse.

Linda Kasabian, que denunciou Charles Manson

Linda Kasabian, que denunciou Charles Manson

Linda Kasabian, uma das integrantes da comunidade hippie e participante das duas noites dos assassinatos, depois de cerca de um mês resolveu fugir e denunciar Charles Manson e os outros integrantes à polícia, além de depor contra eles em seu julgamento. Segundo Kasabian, ela não concordava com os assassinatos, apesar de ter participado e ter permanecido com os assassinos em Spahn Ranch nos dias seguintes. Ela conseguiu um acordo com a acusação, o Estado de Los Angeles, para testemunhar contra Manson em troca de imunidade e uma nova vida, com nova identidade para ela e sua filha recém-nascida e uma pensão do governo. Os depoimentos de Kasabian foram vitais para a condenação de Manson, uma vez que ela testemunhou que tudo havia sido planejado por ele, que seria uma espécie de líder espiritual da comunidade. Sem o depoimento de Kasabian, dificilmente Charles Manson seria condenado.

Charles Manson é preso em 1969

Charles Manson é preso em 1969

Manson, então com 37 anos, foi acusado de seis assassinatos e levado à Justiça, juntamente com Charles ‘Tex’ Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten. Embora acusado de líder da “Família Manson”, como o grupo de amigos se tornou conhecido após o escândalo, ele alegou não ter participado pessoalmente de nenhum dos crimes. Manson declarou durante o julgamento o seu ódio profundo pela humanidade, chamando os membros de sua “família” de “rejeitados pela sociedade”. “Eles são as suas crianças. Eu não as criei, vocês as criaram. Elas fizeram o que vocês ensinaram a elas”, disse Manson durante o julgamento. A promotoria se referiu a ele como “o homem mais maligno e satânico que já caminhou na face da Terra”, e o quinteto foi sentenciado à morte em 1971. Mas com a mudança nas leis penais do estado da Califórnia em 1972, a pena de todos foi alterada para prisão perpétua.

Charles Manson em 2009, mais de 60 anos em prisões

Charles Manson em 2009, mais de 60 anos em prisões

Enfim, Manson esteve em reformatórios e prisões desde os 9 anos de idade. Hoje, com 74 anos, ele passou mais de 60 anos da sua vida em centros de detenção. Ele permanece encarcerado na Corcoran State Prison, na Califórnia, em uma unidade especial de isolamento da penitenciária. Sua última tentativa em audiência para libertação condicional, obviamente negada, foi em 2007. A próxima será em 2012.

logo final

© 2009 ATWA Brasil

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~ por Rotten Ideas em 26/04/2009.

7 Respostas to “Uma breve “biografia oficial” de Charles Manson”

  1. oi, fico intrigado sobre como é a vida de charles e dos outros menbros da familia actualmente e certas liigaçoes a outros como é o caso do zodiaco e gostava de saber mais sobre as actividades da atwa.
    obg

  2. Ninguen fala de Linda Kasiabian, se cumpriu pena ou nao,

    • Ela não cumpriu pena. Em troca de um testemunho contra Charles Manson, ela recebeu nova identidade para ela e a filha, dinheiro e uma casa. Mudou-se, sumiu do mapa por muitos anos. Anos depois, ela foi presa novamente, envolvida com tráfico de drogas.

  3. Porque Charles Manson é considerado ate os dias de hoje um serial killer ? Embora fosse o autor intelectual dos crimes ele nao chegou a matar ninguem com as proprias mãos .

  4. Charles Manson um dia vai voltar!!!

    a pena q ele cumpri e apenas uma pekena barreira
    vcs realmente acham q ele vai parar

    charles é jesus e niinguem o respeitou!!!!

    • Charles Manson é o homem no espelho. Se você der amor, será amado. Se você cortar, será cortado. Não existem brincadeiras, é uma vida e ela é eterna. O karma sempre se equilibra. As pessoas têm dificuldade de reconhecer isso. Quando o mundo virar, elas serão as primeiras na fila, chorando, pedindo perdão. Será tarde demais, porque o mundo precisa de pessoas fortes, preparadas, sábias. Medrosos e falsos tem demais, são descartáveis.

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