Confirmado: Lynette “Squeaky” Fromme será libertada

O que até então era um rumor acabou de ser confirmado pelo Federal Bureau of Prisons (Escritório Federal de Prisões) dos Estados Unidos: Lynette Alice Fromme, mais conhecida como Squeaky desde o escândalo da suposta “Família Manson” em 1969, será libertada no próximo dia 16 de agosto. Depois de 34 anos aprisionada, uma das mais fiéis companheiras de Charles Manson voltará às ruas.

Será um evento simbólico, uma vez que na mesma época completará 40 anos das noites de Helter Skelter, também conhecidas como Assassinatos Tate-LaBianca, que aconteceram em 1969 em Los Angeles.

Lynette "Squeaky" Fromme em 2002

Lynette "Squeaky" Fromme em 2002

Para uma breve biografia de Lynette “Squeaky” Fromme, entre aqui:
Lynette “Squeaky” Fromme pode ser libertada em breve

Abaixo, uma tradução da matéria da rede de notícias americana CNN:

O presidente que ela tentou assassinar está morto há mais de três anos, e seu antigo ídolo e líder, Charles Manson, permanece na prisão. No entanto, Lynette “Squeaky” Fromme está prestes a ter o primeiro sabor de uma verdadeira liberdade em mais de três décadas. Segundo o Federal Bureau of Prisons, Fromme, agora com 60 anos de idade, está programada para ter a liberdade condicional em 16 de agosto. Fromme está atualmente abrigada no Federal Medical Center, em Carswell, no Texas.

Por anos, ela era um dos poucos seguidores remanescentes de Charles Manson, uma vez que muitos membros da “Família Manson” se tornaram temíveis a ele. Uma porta-voz da prisão não quis confirmar se Fromme continua a se corresponder com Manson.

Fromme foi condenada em 1975 por apontar uma arma contra o então presidente Gerald Ford em Sacramento, na Califórnia. Os agentes dos serviços secretos impediram que ela atirasse, mas a arma foi encontrada mais tarde sem a câmara de balas, e sem clipes de munição.

Em 1987, em uma entrevista com a WCHS, afiliada à CNN, Fromme, então abrigada na Virgínia Ocidental, recordou que o presidente “estava acenando com as mãos, e ele olhou fixamente para mim, mas no mesmo momento eu havia ejetado as balas em minha casa e usava a arma como ela estava”. Ela disse que sabia que Ford estava na cidade próxima à dela, e disse que “tinha que ir e falar com ele, mas pensei, ‘isso é tolice, ele não vai querer falar comigo’ As pessoas já provaram que você pode derramar sangue na frente delas e elas não vão se importar. Eu pensei, ‘talvez eu deva levar essa arma. Eu a tenho para fazer isso. Esse é o momento’”.

Ela diz que nunca lhe ocorreu que pudesse terminar na prisão. Quando foi perguntado a ela se ela tinha algum remorso, disse: “Não, não, não tenho. Acho que era o destino”. No entanto, ela disse ter pensado que sua prisão era “desnecessária” e que ela não poderia se ver repetindo a ofensa.

“Meu argumento para o júri foi, se ela quisesse matá-lo, ela teria feito um tiro”, disse à CNN na terça-feira o advogado John Virga, de Sacramento e nomeado para defender Lynette Fromme. “Ela vivia em meio de armas, e vamos ser realistas: nós sabemos que na Família Manson, pelo menos alguns deles, são assassinos”.

Fromme foi condenada à prisão perpétua, mas com a opção de liberdade condicional, embora isso não exista mais no sistema penitenciário federal, explica Felicia Ponce, porta-voz do Escritório de Prisões. Os detidos recebem hoje o que chamamos de “tempo bom” – para cada ano e um dia que eles servem, dias são diminuídos da pena total, disse Ponce.

Fromme tornou-se elegível para a liberdade condicional em 1985, disse Ponce. Segundo relatos, ela renunciou por anos o seu direito à liberdade condicional. O Escritório Federal de Prisões não afirma se ela mudou de idéia e pediu uma audiência de liberdade, mas afirma que todos os detidos interessados em uma audiência de libertação devem preencher um requerimento. Detentos federais servindo sentenças de prisão perpétua geralmente são libertados após 30 anos de detenção, salvo se a comissão de liberdade condicional decidir bloquear a liberação, explicou um oficial da comissão. Detentos que recebem a liberdade condicional continuam sob monitoramento até o fim do tempo total de pena.

Fromme não recebeu a liberdade condicional em 2008, explica Ponce, devido ao tempo extra adicionado à sua pena por ter escapado da prisão de Virgínia Ocidental em 1987, logo após a sua entrevista para a televisão. Ela foi encontrada dois dias depois, a apenas alguns quilômetros da prisão de onde havia escapado. Na época, funcionários da prisão haviam explicado que Fromme havia tentado a sua fuga por ouvir falar que Charles Manson estava muito doente.

A porta-voz do Federal Medical Center, onde Fromme permanece detida, não quis comentar sobre o comportamento dela na prisão.

Fromme declaradamente aderiu à Família Manson após uma reunião com o grupo em 1967. Ela não teve envolvimento no assassinato das sete pessoas, incluindo a atriz grávida Sharon Tate, em 9 e 10 de agosto de 1969, que colocou atrás das grades Manson e seus seguidores. No entanto, ela e outros seguidores mantiveram uma vigília fora do tribunal durante todo o julgamento.

Na entrevista à WCHS, Fromme disse que Manson não deveria ter sido preso porque “ele não matou ninguém”. “Eu preferia que tivesse sido eu, porque sei que estabeleci muito dos meus pensamentos na cabeça dele”, disse Fromme.

O advogado John Virga disse ao júri que ela havia agredido o presidente Ford, mas não tentado assassiná-lo. “Se Fromme tivesse matado o presidente, ninguém ouviria ela”, disse Virga. “Ela não queria que as pessoas pensassem que ela era uma maluca, e ela não é”. O advogado recordou que Fromme foi muito cooperativa durante o seu julgamento, descrevendo-a como “uma mulher brilhante, inteligente e jovem de uma família de classe média”. “É difícil imaginar como ela tenha se associado com Manson”, disse Virga. “Fromme queria ser ouvida sobre as coisas, especialmente sobre o meio-ambiente”, ele explicou, “ela tinha algumas coisas que ela queria falar, mas acima de sua mente estava sempre Manson”.

Se explicando após a tentativa de assassinato, segundo o livro Real Life at the White House, Fromme disse: “Bem, você sabe, quando as pessoas lhe tratam como uma criança e não prestam atenção no que você tem a dizer, você tem que fazer alguma coisa”.

Durante o julgamento, Virga foi até Washington para testemunhar no caso de Ford, que testemunhou em vídeo sobre o incidente.

Em uma entrevista de 1978, Fromme chamou Manson de “uma alma única. Ele tem mais coração e espírito do que qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido”. Ela também disse que se correspondia com ele: “Ele tem tudo o que quiser vindo de mim, porque ele me deu tudo”. Na ocasião, ela também disse que não procuraria uma audiência de liberdade condicional: “A comissão da audiência não detém a minha vida em suas mãos. Não quero ser muito crítica, mas os homens tendem a pensar que eles têm. Charlie nunca pensou que ele tinha. Ele nunca expressou o desejo de ter todo esse poder, esse desejo por aceitação”.

O presidente Ford morreu em 2006 aos 93 anos de idade. A Fundação Presidente Gerald R. Ford não respondeu às solicitações da CNN para comentar sobre a libertação de Fromme.

O advogado Virga, que ainda está praticando em Sacramento, disse não ter ouvido falar de Fromme desde a sua condenação em 1975. “Desejo a ela o melhor, espero que tudo funcione bem para ela fora da prisão, e que ela fique longe de problemas”, disse ele. “Ela tem que ficar fora de problemas. Ela cumpriu um longo termo na prisão. Seria, em minha opinião, uma tragédia se ela terminasse como um discípulo de Manson”.

A matéria original da CNN, em inglês, está aqui:
After 34 years, Lynette “Squeaky” Fromme to be released

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© 2009 ATWA Brasil

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~ por Rotten Ideas em 05/08/2009.

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