Estamos nos reproduzindo para a extinção

overpopulation

Todas as medidas para impedir a degradação e a destruição do nosso ecossistema serão inúteis se não reduzirmos o crescimento populacional. Em 2050, se continuarmos a nos reproduzir no ritmo atual, o planeta terá entre 8 bilhões e 10 bilhões de pessoas, de acordo com uma previsão recente da ONU. Trata-se de um aumento de 50 por cento. E ainda assim, opiniões encomendadas pelos governos, como o Relatório Stern, do Reino Unido, não mencionam a palavra “população”. Livros e documentários que abordam a crise climática, incluindo o documentário do político americano Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, não param para discutir o perigo do crescimento mundial da população. Essas omissões são estranhas, dado que uma duplicação da população, mesmo que cortássemos a utilização de combustíveis fósseis e encerrássemos todas as nossas usinas de carvão, vai mergulhar-nos em uma idade de extinção e desolação jamais vista desde o fim da era mesozóica, 65 milhões de anos atrás, quando os dinossauros desapareceram.

Estamos experimentando uma obliteração acelerada de todas as formas de vida do planeta – estima-se que 8.760 espécies morrem por ano – porque, simplesmente, há pessoas demais. A maior parte dessas extinções é resultado direto da crescente necessidade de energia, habitação, alimentos e outros recursos. O crescimento populacional, como E. O. Wilson disse, é “o monstro na terra”. Espécies estão desaparecendo em um ritmo de cem a mil vezes mais rápido do que antes da chegada dos seres humanos. Se o atual ritmo de extinção continuar, o Homo sapiens será um dos poucos seres vivos no planeta, os seus membros violentamente lutando entre si por água, alimentos, combustíveis fósseis e, talvez, pelo próprio ar, até que eles também desapareçam. Enquanto a Terra é vista como a propriedade pessoal da raça humana, uma crença abraçada por quase todos, estamos destinados a em breve habitar um terreno biologicamente baldio.

As populações das nações industrializadas mantêm os seus estilos de vida sem se preocupar porque eles têm o poder militar e econômico para consumir uma parcela desproporcional dos recursos do mundo. Os Estados Unidos sozinhos engolem cerca de 25 por cento do petróleo produzido no mundo a cada ano. Ironicamente, essas nações exibem um crescimento populacional estável, ou até mesmo negativo, como suficiente. Foi então deixada aos “países em desenvolvimento” a questão de lidar com a crise da população emergente. Índia, Egito, África do Sul, Irã, Indonésia, Cuba e China, cuja política do filho único já evitou o acréscimo de 400 milhões de pessoas na Terra, todos têm tentado instituir medidas de controle populacional. Mas na maior parte do planeta, o crescimento da população ainda está explodindo. A ONU estima que 200 milhões de mulheres no mundo não tenham acesso à contracepção. A população dos países do Golfo Pérsico, junto com Israel e os territórios ocupados da Palestina, dobrarão em duas décadas, um aumento que vai coincidir com o declínio da produção de petróleo na região.

As regiões superpovoadas do globo irão invariavelmente devastar seus ambientes locais, derrubando florestas e as poucas áreas naturais remanescentes, em uma tentativa desesperada de produzir alimentos. O esgotamento e a destruição dos recursos acabarão por criar um problema de superpopulação nas nações industrializadas também. Os recursos que os países industrializados consideram seu direito de primogenitura se tornarão mais difíceis e mais caros de se obter. A elevação do nível do mar no litoral, que pode submergir nações costeiras, irá prejudicar a agricultura e deslocar milhões, que irão tentar fugir para as áreas do planeta onde a vida ainda será possível. O aumento das temperaturas e as secas já começaram a destruir as terras de culturas na África, Austrália, Texas e Califórnia. Os efeitos desta devastação logo se espalharão dentro das nossas fronteiras. Dados científicos atuais sugerem que, com base em estilos de vida atuais, a população sustentável do Reino Unido – o número de pessoas que o país é capaz de alimentar e sustentar com a sua própria capacidade biológica – é de cerca de 18 milhões de pessoas. Isso significa que, em uma época de extrema escassez, cerca de 43 milhões de pessoas na Grã-Bretanha não seriam capaz de sobreviver. A superpopulação vai se tornar uma séria ameaça à viabilidade de muitos países industrializados no momento em que o consumo ainda relativamente barato de recursos do mundo não poderá mais ser mantido. Esse momento pode estar mais perto do que pensamos.

Um mundo em que 8 a 10 bilhões de pessoas estão competindo pelo que restará dos recursos naturais não será pacífico. As nações industrializadas que, tal como fizeram recentemente no Iraque, farão uso das suas forças armadas para garantir um fornecimento estável de combustíveis fósseis, minerais e outros recursos não-renováveis na vã tentativa de manter um estilo de vida que, no final, será insustentável. O colapso da agricultura industrial, que só é possível com o petróleo barato, vai levar a um aumento da fome e doenças. Talvez o caos e o derramamento de sangue serão tão grandes que o problema da superpopulação será resolvido através da violência, mas isso é dificilmente um conforto.

James Lovelock, um cientista britânico independente que passou a maior parte de sua carreira fora do campo tradicional de pesquisas advertiu a várias décadas que perturbar o delicado equilíbrio da Terra, o qual ele refere como um corpo vivo, seria uma forma de suicídio coletivo. “A atmosfera da Terra – 21 por cento de oxigênio e 79 por cento de nitrogênio – não é comum entre os planetas”, observa ele. Esses gases são gerados e mantidos em um nível de igualdade para os processos da vida pelos próprios organismos vivos. Oxigênio e nitrogênio desapareceriam se a biosfera fosse destruída. O resultado seria uma atmosfera de gases com efeito similar ao de Vênus, um planeta que é, por conseguinte, centenas de graus mais quente do que a Terra.

Lovelock afirma que a atmosfera, os oceanos, as rochas e o solo são entidades vivas. Eles constituem, segundo ele, um sistema auto-regulador. Lovelock, em suporte a essa tese, olhou para o ciclo em que as algas nos oceanos produzem compostos sulfurados voláteis. Esses compostos atuam como sementes para formar nuvens oceânicas. Sem essas “sementes” de sulfuretos de dimetilo, as nuvens oceânicas de resfriamento estariam perdidas. Esse sistema de auto-regulação é notável porque mantém as condições favoráveis para a vida humana. Sua destruição não significaria a morte do planeta. Não significaria a morte das formas de vida. Mas isso significaria a morte do Homo sapiens – dos seres humanos.

Lovelock defende energia nuclear e energia térmica solar. Essa última, diz ele, pode ser produzida por enormes espelhos montados em desertos como os do Arizona e do Saara. Mas ele adverte que essas etapas serão ineficazes se não fizermos o controle do crescimento populacional primeiro. Ele acredita que a Terra está superpovoada por um fator de sete, ou seja, sete vezes mais pessoas do que a Terra é capaz de suportar considerando os níveis de consumo atual. À medida que o planeta se aquece – e ele acredita que não podemos fazer nada para parar este processo – a superpopulação tornará fútil todos os esforços para salvar o ecossistema.

Lovelock, em seu livro “A Vingança de Gaia”, explica que se nós não cortarmos radicalmente e imediatamente as emissões de gases de efeito estufa, a raça humana pode ainda não morrer, mas será reduzida a “uns poucos casais férteis”. Lovelock diz que um crescimento populacional contínuo fará com que a redução do uso de combustíveis fósseis seja impossível. Se não reduzirmos as nossas emissões em 60 por cento, algo que só poderá ser alcançado mantendo distância dos combustíveis fósseis, a raça humana estará condenada, ele argumenta. O tempo está acabando. Essa redução nunca acontecerá, diz ele, a menos que consigamos reduzir drasticamente a nossa taxa de natalidade em nível mundial.

Todos os esforços para estancar os efeitos da mudança climática não levarão a nada se não praticarmos um controle vigoroso da população. O crescimento da população é muitas vezes esquecido, ou na melhor das hipóteses considerado uma questão secundária por muitos ambientalistas, mas é tão fundamental para a nossa sobrevivência como a redução das emissões que estão derretendo os pólos gelados do planeta.

Para ler a matéria original, clique aqui

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© 2009 ATWA Brasil

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~ por Rotten Ideas em 27/08/2009.

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