Muita gente = muitos problemas

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Pânico sobre a economia mundial turbulenta tem ofuscado questões estratégicas que, em longo prazo, irão determinar a qualidade da vida na Terra. Poucas pessoas estão dispostas a se concentrar agora em questões transcendentais, como o crescimento insustentável da população mundial, o acelerado aquecimento global, a diminuição do abastecimento de água e a perda da biodiversidade. Na verdade, essas idéias parecem ser muito inconseqüentes para muitos que se preocupam com o estado lastimável das suas contas bancárias. No entanto, todos esses problemas listados têm algo em comum. Eles se resumem a desastres em espera. Essas correções de curto prazo irão atrasar a abordagem de problemas maiores dos quais a prosperidade da humanidade, e até mesmo a sobrevivência, dependem.

Todo mundo se diz a favor da “sustentabilidade dos recursos” – energia, água, agricultura, etc. Mas como farão as sociedades para sustentar essas necessidades em face da demanda sempre crescente causada pelo rápido crescimento da população? Há apenas 50 anos, a população mundial era de cerca de 3 bilhões de pessoas. Hoje ela é de 6,7 bilhões, e deverá crescer para mais de 9 bilhões até o ano 2040.

A maior parte deste aumento ocorrerá em países do chamado “terceiro-mundo”. Isso é importante no contexto de que as fronteiras territoriais são simplesmente linhas imaginárias, a serem atravessadas, por vezes, facilmente, e às vezes com maior dificuldade. Dados indicam que os Estados Unidos ainda é o destino preferido dos imigrantes pobres. A projeção da população do país, que é de 305 milhões de pessoas hoje, é que aumente para 345 milhões em 2025, e 420 milhões em 2050. Dr. Walter Youngquist, um geólogo e especialista em recursos naturais, aponta que o México já tem 107 milhões de pessoas, e deverá crescer para 132 milhões até 2050. Atualmente, escreve ele, os seus excedentes são “simplesmente enviados para o norte, e representam cerca de 80 por cento do crescimento da população dos Estados Unidos e quase 100 por cento do crescimento da Califórnia”.

A sabedoria convencional diz que a mudança climática causada pelo homem, com as emissões de dióxido de carbono, pode ser amortizada sem a redução da população mundial. “Novas tecnologias irão salvar o dia” – é mais ou menos assim o argumento. Qualquer coisa, exceto menos pessoas!

Um exemplo: Portland, no Oregon, é frequentemente citado como garoto-propaganda para a “ecologização” dos Estados Unidos. Mas fato é que as duas décadas de esforço para reduzir as emissões de CO2 não levaram a nada, porque a população da área metropolitana cresceu 42 por cento durante esse tempo. “Um projeto de rodízio de veículos em Portland diz ter salvado 3 mil toneladas de CO2 ao longo de cinco anos”, explica Jack Hart, um ex-editor administrativo do Oregonian. “Isso é patético: nós poderíamos ter feito a mesma coisa por meio da desaceleração do crescimento populacional da área em somente 30 pessoas por ano”. A população metropolitana de Portland está projetada para crescer em mais um milhão de pessoas até 2030 e, em seguida, para 3,85 milhões em 2060. Como será possível reduzir as emissões de CO2 com esse aumento constante dos próprios emissores de CO2?

Uma recente reunião dos planejadores urbanos e rurais de Las Vegas ouviu um especialista que sugere que a população dos Estados Unidos poderia mais que triplicar, chegando a 1 bilhão de pessoas, já em 2100. Se assim for, as pessoas que viverão em seguida irão habitar um país imensamente superlotado. Mas os impulsionadores do crescimento populacional continuam a argumentar que não há limites para a capacidade da Terra. Um artigo da revista americana The Economist, que considerava o estado mundial da economia, salientou o caso da Turquia e alegremente concluiu que: “O crescimento da população acompanha a demanda”. No entanto, a prosperidade frágil da Turquia decorre, entre outras coisas, da exportação dos seus desempregados jovens aos mercados de trabalho da Europa. Sem essa saída, a Turquia seria duramente desafiada para manter o seu padrão de vida atual.

Mais da metade da população do mundo vive hoje em áreas urbanas. Esses já não podem mais sobreviver em tempos agrícolas difíceis produzindo o seu próprio alimento. A poluição do ar ameaça a saúde, como o mundo assistiu durante as Olimpíadas de Pequim no verão passado. Suprimentos de água potável estão ameaçados, rodovias parecem nunca ser suficientes para a demanda. Para os milhares de milhões que permanecem no campo, a seca e as inundações reduzem as plantações, levando à escassez de alimentos. A Organização de Alimentação e Agricultura da ONU (FAO, na sigla em inglês) estimou que 923 milhões de pessoas ficaram gravemente desnutridas em 2007, bem antes do recente tumulto financeiro. Cerca de 36 países ainda precisam de ajuda de emergência para a alimentação. A Oxfam, um grupo de ajuda humanitária, afirma que o caos econômico atual empurrou os rendimentos de mais 119 milhões de pessoas para abaixo da linha da pobreza, elevando o total para cerca de 1 bilhão no mundo.

Em 2008, a população mundial cresceu em cerca de 80 milhões. E o crescimento continua: são em média 2,5 novas pessoas a cada segundo. De tempos em tempos, a televisão coloca um rosto humano sobre o assunto, mostrando imagens de mulheres e crianças morrendo de fome na Somália, no Haiti, em Darfur, no Congo ou até mesmo no Brasil, geralmente com um aviso de que os espectadores poderão achar as imagens perturbadoras. Acontece que, com o descaso atual quanto à questão da superpopulação, essa será a imagem do futuro para a maioria dos seres humanos. Todos os anos, o mundo cresce cada vez mais quente, plano e lotado, para usar a descrição de Thomas L. Friedman.

Nós ficamos à espera por uma segunda Revolução Verde, ou alguma outra maravilha tecnológica para salvar a humanidade da sua própria fecundidade. Os líderes políticos se preocupam com o que eles vêem como coisas mais imediatas porque, afinal, “a superpopulação é um problema de longo-termo”. Acontece que isso não é verdade.

Um terço dos países da África estão sobrecarregados e presos em guerras civis ou ciclos de agitação violenta. A pobreza no Egito atinge as massas, que estão perto de revolta. A urbanização da China está esgotando todos os seus reservatórios. E assim por diante. Há simplesmente pessoas demais para os recursos finitos da Terra – uma bomba demográfica prestes a explodir.

Para ler a matéria original, clique aqui

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© 2009 ATWA Brasil

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~ por Rotten Ideas em 09/09/2009.

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