Índios da Amazônia prontos para a guerra

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Nativos indígenas da Amazônia estão se dirigindo para a cidade de Salvacion, no Peru, com um plano para forçar a remoção da empresa de petróleo americana Hunt Oil de suas terras. A polícia peruana, preparada com centenas de soldados, se diz estar já à espera na cidade.

A crise recentemente se escalou na área conhecida como Lote 76, a Reserva Comunal Amarakaeri. A reserva de 400 mil hectares foi criada em 2002 para proteger a flora e a fauna nativa da região, bem como as bacias hidrográficas de grande importância para os grupos indígenas da região.

Apesar de seu status de proteção, em 2006 o governo peruano fez concessões dentro da reserva para duas companhias de petróleo, a americana Hunt Oil e a empresa espanhola Repsol.

Segundo a FENAMAD (Federação Nativa de Madre de Dios), as proteções tinham sido lenta e sistematicamente removidas na reserva, sem prestar contas aos grupos indígenas. Além disso, a FENADMAD alega que a Hunt Oil violou as normas internacionais e a Constituição peruana ao seguir em frente com as suas operações sem a aprovação dos grupos indígenas.

Um documento escrito pela FENAMAD alega ainda que o Estudo do Impacto Ambiental e Social realizado pela Hunt Oil e aprovado pelo governo federal é “completamente irresponsável e não descreve nenhuma realidade para a área. Foi aprovado ilegalmente e inconstitucionalmente, contrariando as observações feitas por um grupo de profissionais da sociedade civil em Madre de Dios”.

Em 13 de setembro desse ano, representantes de grupos indígenas divulgaram um comunicado que dizia que “a entrada da Hunt Oil e da Repsol na Reserva Comunal Amarakaeri para executar projetos sísmicos não é aceito, uma decisão que será respeitada pelo Estado peruano, pela Hunt Oil e pela Repsol, que foram testemunhas presentes desta decisão”.

No entanto, a Hunt Oil prosseguiu os seus estudos sísmicos no interior da reserva. Foi a incapacidade da empresa de parar o seu projeto ilegal que levou os grupos indígenas a viajar para Salvacion e, segundo declarações feitas pelos mesmos, fazer uso da força para remover as corporações estrangeiras de suas terras.

“As áreas ecológicas mais vulneráveis estão sendo invadidas por linhas sísmicas, cujos impactos ambientas são irreparáveis. A área de intervenção é uma de valor biológico altíssimo, e seus sistemas hidrológicos de superfície e subterrâneo têm grande importância cultural para os Harakmbut, o que torna esse espaço vital para a subsistência não só das comunidades indígenas, mas também de toda a população da Bacia Amazônica”, afirma o documento da FENAMAD. “Por esse motivo, todas as comunidades beneficiárias da Reserva Comunal Amarakaeri adotaram a posição de impedir a entrada das empresas de petróleo e defender a área protegida com as suas vidas”.

A declaração da FENAMAD pode ser um presságio: em junho desse ano, um conflito entre povos indígenas e a polícia peruana sobre a exploração da Amazônia se tornou sangrento. Milhares de indígenas bloquearam estradas para protestar contra a mudança das regras que tornaram mais fácil para as empresas estrangeiras extraírem petróleo, gás, minerais e madeira da Amazônia peruana. Durante o confronto que se seguiu, vinte e três policiais e pelo menos dez manifestantes foram mortos, segundo números oficiais. Os grupos indígenas, entretanto, dizem que centenas continuam desaparecidos, e pediram a abertura de uma comissão para investigar o trágico incidente.

Para ler a matéria original, clique aqui

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© 2009 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 26/10/2009.

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