Conseqüências históricas do desmatamento: Ilha de Páscoa

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A história da Ilha de Páscoa, suas estátuas e seus povos, tem sido envolta em mistério. Alguns falam sobre a presença de “extraterrestres”. Outros procuram explicações em “raças ultra desenvolvidas” que teriam se tornado extintas. No entanto, novas evidências com base na análise de pólen colhido na Ilha de Páscoa suportam uma teoria muito mais simples: os habitantes da ilha teriam destruído sua própria sociedade através do desmatamento.

A Ilha de Páscoa, quando foi “descoberta” pelos europeus em 1722, era uma paisagem árida, sem árvores com mais de dez metros de altura. O pequeno número de habitantes, por volta de 2000 na época, vivia em um estado de desordem civil, além de mal nutridos e fracos. Praticamente nenhum animal além de ratos habitava a ilha, e os nativos não tinham acesso a embarcações desenvolvidas para navegar em alto mar. Compreensivelmente, os europeus ficaram assombrados pela presença das grandes estátuas de pedra, algumas bem altas, com mais de 10 metros de altura, e pesando mais de 80 toneladas. Ainda mais impressionantes eram as chamadas estátuas abandonadas, com mais de 20 metros de altura e cerca de 270 toneladas. Como poderia um povo criar e depois mover tais estruturas enormes? Ao que tudo indica, a resposta está no passado ecológico da Ilha de Páscoa, enquanto o local não havia ainda se tornado estéril.

A Ilha de Páscoa dos tempos antigos era formada por uma floresta subtropical, com árvores de grande porte como a Paschalococos, também conhecida como Palmeira da Ilha de Páscoa, uma árvore adequada para a construção de casas e canoas. Com a vegetação natural da ilha, os nativos tinham lenha e recursos para fazer cordas. Em função das suas embarcações resistentes, eles viviam com uma dieta à base de peixes. Havia uma complexa estrutura social, com um governo centralizado e sacerdotes religiosos, que mantinha a ordem da sociedade.

Foi essa sociedade da Ilha de Páscoa que construiu as famosas estátuas e transportou-as ao redor da ilha usando plataformas de madeira e cordas construídas com materiais extraídos das grandes palmeiras. A construção dessas estátuas aconteceu durante o apogeu da civilização nativa, entre os anos 1200 e 1500. Entretanto, as recentes análises do pólen indicam que foi neste exato momento que a população de árvores da ilha sofreu um rápido declínio.

Por volta do ano 1400, a Palmeira da Ilha de Páscoa se tornou extinta devido ao desmatamento excessivo. Sua capacidade de se reproduzir tornou-se severamente limitada pela proliferação de ratos, que comiam as suas sementes. Nos primeiros anos após o desaparecimento da palmeira, antigas pilhas de lixo revelam que os ossos de peixes também sofreram um declínio acentuado. Isso é explicado pelos nativos não terem mais acesso às grandes palmeiras para construir suas embarcações e, portanto, não podiam mais fazer viagens para o mar. Conseqüentemente, o consumo de aves terrestres, aves migratórias e moluscos aumentou nesse período. Logo, as aves terrestres também foram extintas, e os números de aves migratórias foi severamente reduzido – a receita ideal para o fim das florestas da Ilha de Páscoa. Sob intensa pressão por parte da população humana, em busca de lenha e materiais de construção, as florestas perderam seus animais polinizadores e dispersores de sementes com o desaparecimento das aves. Hoje, apenas uma das 22 espécies de aves nativas da ilha pode ser encontrada.

Com a perda das suas florestas, a qualidade de vida dos nativos despencou. Córregos e água potável desapareceram rapidamente. As colheitas diminuíram em função da erosão provocada pelo aumento na intensidade dos ventos, chuvas e sol. Fogueiras tornaram-se um luxo, uma vez que não havia mais madeira na ilha. Enquanto puderam, os nativos acendiam fogueiras com grama seca. Os habitantes da ilha começaram a morrer de fome, sem animais ou plantas para alimentação. A sociedade organizada desapareceu, e o caos e desordem tomou conta. Sobreviventes formaram pequenos grupos, e confrontos eclodiram. Quando os europeus chegaram em 1722, não havia quase nenhum sinal de que, um dia, uma grande civilização havia governado a ilha.

A Ilha de Páscoa é um exemplo perfeito do que o desmatamento generalizado pode fazer para uma sociedade. Como as florestas se tornam esgotadas, a qualidade de vida cai e, por conseqüência, a ordem é perdida. O exemplo da Ilha de Páscoa deve ser suficiente para repensarmos as nossas práticas atuais.

Para ler a matéria original, clique aqui

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© 2009 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 09/11/2009.

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