3º Comunicado de ATWA ao COP-15

Abaixo, o 3º Comunicado de ATWA enviado ao COP-15:

“Membros da conferência, líderes mundiais,

Parece inegável nesse momento da história civilizada do homem que, para a maioria dos seres humanos, a ganância substituiu a preocupação, o egoísmo substituiu o cuidado, o dinheiro substituiu a honra, e as mentiras substituíram a verdade. Infelizmente, em alguns casos, até mesmo a consciência sobre a ordem natural da vida, e o equilíbrio conservacionista que é necessário para manter essa vida, não somente para a humanidade e suas futuras gerações, mas para todas as formas de vida e os elementos necessários para que todas as vidas existam e floresçam, está a se aproximar cada vez mais da surdez, mudez e cegueira. O vínculo entre a maioria dos humanos e os animais, entre os humanos e a nossa mãe Terra, perdeu a sua coesão: a compreensão essencial sobre a necessidade de uma harmonia não-destrutiva – um equilíbrio sem o qual não se pode haver sustentabilidade para a eternidade para as coisas vivas desta linda Terra.

Essa ‘compreensão essencial’ parece estar sendo ensinada fora da natureza instintiva das mentes das nossas crianças, com um currículo social global de separação do mundo natural: o ar, as árvores, a água e os animais.

Eu sugiro ensinar as crianças sobre a importância dos nossos deveres inerentes para a preservação dos sistemas de vida naturais da Terra, que incluem as árvores e o ar que elas ajudam a fornecer através da fotossíntese, os oceanos, os animais, e a necessidade desse sistema de todas essas unidades, porque cada um deles tem o seu lugar e o seu dever com relação ao equilíbrio, e a necessidade de controle e proteção do nosso ar e água.

Na busca de uma vida de maior conforto, os juízes do culto do progresso tomaram passos na direção errada, sem qualquer respeito quanto às implicações desses passos para a existência sustentável. Os efeitos disso estão sendo percebidos em uma escala mundial.

Em um período relativamente curto, entre essas marés de progresso, o planeta já perdeu tantos recursos naturais, tantos animais, e insetos (e os habitat que eles necessitam para sobreviver), tantas florestas ancestrais, e tantos dos nossos parentes dos mares. Incontáveis espécies já se foram para sempre, extintas. As demais espécies estão sendo esgotadas em um nível que muitos consideram um grau de genocídio. Os ‘civilizados’ pensam dessa idéia como se fosse uma forma de evolução, mas é, na realidade, completamente o contrário: é um caminho certo para a aniquilação de todas as vidas desse planeta. Tudo o que é preciso para ver isso claramente é limpar o pó, ou a poluição, dos nossos olhos.

Eu sei muito bem que não existe uma maneira de desfazer as atrocidades cometidas contra a Terra, e todos os seus habitantes, no passado. Não existe uma maneira de corrigir o que nos trouxe até o presente momento: a 11ª hora. Eu acredito que exista apenas uma maneira de mudar o modo que nós fazemos as coisas, para trazer qualquer tipo de redenção pelo que foi feito pelos nossos ancestrais de decisões e políticas errôneas. Para isso, não basta apenas trabalho por parte de cada um de nós, como uma célula, uma entidade, mas um sacrifício absoluto do nosso apego a esses progressos e confortos que acabamos nos tornando acostumados. A crença em ‘eu’ e ‘você’ precisa ser erradicada. E o entendimento de que existe apenas ‘um’ precisa ser trazido de volta dos cemitérios. De volta dos cemitérios das tribos, sociedades, irmandades.

Caso contrário, toda essa conferência sobre a mudança climática é apenas mais uma charada dos poderes mundiais dos séculos XX e XXI, falsas preocupações e conciliações. Apenas mais uma tentativa de controle e manipulação dos pobres, enquanto ainda descaradamente ignorando opressões e ocupações que têm continuado despercebidas por muitas décadas. Uma cortina de fumaça sob a bandeira do ‘verde’, sob o disfarce de inovações de ‘energias renováveis’, e uma corrida para encurralar economias mundiais envolvidas no desenvolvimento das tecnologias que irão se aproveitar desse novo mercado. Propaganda hegemônica, na melhor das hipóteses.

É tudo ignominioso, a não ser que uma Ordem dos Cavaleiros pelo Ar, Árvores, Água e Animais seja instalada, ou um Tribunal Penal Internacional de Crimes à Terra seja criado para proteger todas as coisas vivas nessa Terra com regras estritas e onipotentes, códigos e leis implementados que nenhum dinheiro será capaz de corromper, comprar ou influenciar.

Até que tal convicção e coragem sejam mostradas e ressuscitadas, eu não posso, e eu não irei, aceitar ou acreditar que qualquer sala cheia de políticos brandindo ideais como o capitalismo, comunismo, democracia e liberdade, considerando a história desses ideais, possa fazer o que é honroso e garantir que qualquer forma de justiça seja imposta aos transgressores da Terra – além das multas do passado. As multas que foram aplicadas às grandes corporações por suas séries de crimes de poluição, envenenamento, destruição e assassinato. Essas sanções monetárias fazem muito pouco, e não devem de forma alguma ser consideradas um meio de justiça.

O delicado equilíbrio de todas as vidas está, e tem sido, abandonado em risco – o ar, as árvores, a água e os animais, que incluem esses animais reunidos nesta convenção. Essa espécie de mamífero reunida aqui, o homo sapiens, tem a inteligência para enviar um homem à Lua, e para voar em um jato até a Dinamarca em poucas horas, mas apesar disso não consegue ver, ou prefere negar a discutir o grau de responsabilidade que tem, por ser o único culpado pela morte inevitável de todas as outras formas de vida.

Ninguém precisa mais falar da longa lista de fatos e estatísticas sobre o dano irreversível já causado à ordem natural, ou sobre se a mudança climática é real ou não. O que nos resta são ações a serem executadas. Não existe mais como ‘negar’ as evidências. Eu testemunho isso, respiro isso, sinto o gosto disso, cheiro isso, todos os dias. Aqueles que negam têm apenas uma agenda de absoluta insignificância se comparados a um ar limpo e respirável, a uma água potável e livre, às árvores e formas de vida verdes e todos os animais com o direito de viver.

Ter qualquer tipo de otimismo ou fé nas ‘soluções’ que essa conferência pode oferecer, especialmente considerando o recente ‘vazamento’ de ‘textos’, seria muito irrealista para qualquer pessoa consciente. E assim, como testemunha de muitos que têm falado há décadas sobre a crise que agora está sendo tão oportunamente discutida, apenas para ser silenciada de uma forma ou outra, e como testemunha das falhas das outras ‘convenções’, eu não tenho otimismo ou fé na capacidade da ‘Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009’ de trazer qualquer tipo de mudança que não esteja associada a marcas de dólares.

Na verdade – em guerra pela vida – Ar, Árvores, Água, Animais,

-Haze”

logo final

© 2009 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 15/12/2009.

Uma resposta to “3º Comunicado de ATWA ao COP-15”

  1. […] Para ler a matéria original, clique aqui […]

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