Crescimento econômico e o fim da vida na Terra

Desde o nascimento até atingir a maturidade sexual, com cerca de seis semanas, um hamster duplica de peso a cada semana. Se, em vez de nivelar-se na maturidade, o hamster continuasse a crescer – duplicando de peso a cada semana – estaríamos diante de um hamster de nove bilhões de toneladas em seu primeiro aniversário. Se ele continuasse comendo na mesma proporção do seu peso, o consumo diário do hamster seria maior do que a produção total anual de milho no mundo.

Na natureza, há uma razão por que as coisas não crescem indefinidamente. No entanto, os falsos profetas da economia contemporânea parecem acreditar que a economia existe independente das leis da biologia, química e física. Essa criação humana é vendida às pessoas como algo além das leis da vida nesse planeta. Assume-se, sem exceção, que o crescimento econômico infinito num planeta finito é algo desejável e possível.

O limite do crescimento

Sugerir que o crescimento poderia finalmente ser limitado por condicionantes físicos, é claro, não é algo novo nas margens tanto da economia como em outras disciplinas.

Por exemplo, um grupo de pesquisadores, em 1972, usou um modelo de computador primário para comparar os recursos naturais disponíveis no planeta com as taxas de consumo humano. O modelo foi publicado e se tornou conhecido como “Relatório de Limites do Crescimento”. Naquela época, dados eram escassos e o poder de processamento dos computadores não pode ser comparado com as máquinas de hoje. Apesar disso, os pesquisadores criaram um modelo do planeta 30 anos mais tarde, e viram que, assim como tudo na natureza, o crescimento humano e das suas criações (a economia, por exemplo) também era limitado. O aumento na taxa de consumo humano caminha em paralelo com a população humana. Obviamente, menos recursos naturais implicam em menos pessoas consumindo. A conclusão final disso é que, se não houver mudanças na taxa de consumo, deverá haver mudanças na quantidade daqueles que consomem – ou seja, menos seres humanos no planeta. Enfim, voltando a 1972, alguns reagiram ao relatório como um sinal importante. Mas a maioria fez piadas e usou os dados publicados para atacar movimentos que se consideravam “ambientalistas” – nesse contexto, ironicamente, o risco para o crescimento infinito seria o próprio meio ambiente, e não as práticas humanas com os recursos finitos do planeta.

Mas quanto aos limites do crescimento, nós não devemos nos surpreender. Por que, e baseado em que, a sociedade de consumo acredita que realmente poderia ser dona do planeta e ainda comê-lo e usá-lo sem restrições?

Um livro interessante chamado “Collapse”, escrito por Jared Diamond, trata dessa pergunta simples, mas que poucos ousam fazer. O livro lida com casos de sociedades que ao longo da história se tornaram extintas por ultrapassar os limites de consumo dos seus sistemas de suporte de vida naturais. A lista é longa. De fato, a história é testemunha de como a riqueza vem muitas vezes à custa de liquidar o capital natural. Falando a língua dos falsos profetas da economia, mas em termos ambientais, “uma impressionante conta bancária pode esconder um fluxo de caixa negativo”. Aprender com o passado é iluminar o futuro, e poucas lições são mais importantes do que a queda de civilizações que viveram sob a filosofia de governar a Terra.

A falência ecológica

Os estudos mais recentes sobre as “pegadas ecológicas” dos seres humanos no planeta Terra revelam que, conservadoramente, o planeta leva cerca de 18 meses para produzir os sistemas ecológicos que a humanidade consome em um ano. Ou seja, a cada ano, destruímos uma variedade de vidas que a Terra não é capaz de reproduzir no mesmo período. Ao que tudo indica, o fluxo de caixa negativo está piorando.

Em um estudo publicado na revista científica Nature em setembro de 2009, um grupo de 29 cientistas internacionais identificou nove processos na biosfera para o qual consideram que é necessário “definir os limites do planeta”. São barreiras que, em teoria, os homens não devem cruzar. Das nove barreiras, três já tinham sido transgredidas: alterações climáticas, a interferência no ciclo de nitrogênio, e a perda de biodiversidade.

Assumindo que a humanidade não queira deliberadamente destruir seus próprios fundamentos, e com tanta ciência e monitoramento sofisticado disponíveis, porque isso está acontecendo? A resposta é simples. Todas as promessas de tecnologias mágicas afogam-se em um crescimento contínuo, que derruba os ganhos de eficiência no consumo de energia e de recursos naturais. Ironicamente, os ganhos de eficiência acabam por não reduzir o total de energia consumida. É simples: uma maior eficiência energética tende a reduzir custos, e a conseqüência disso é o aumento do consumo global. Dessa forma, o ciclo vicioso é contínuo.

O peso da prova

Aqui está uma ironia: a ciência exata da mudança do clima é submetida continuamente ao grau mais extraordinário de análise crítica da mídia. Os cientistas céticos, os poucos que expõe suas teorias publicamente, recebem um tempo de exposição desproporcional para as suas idéias otimistas. Mas quando a ciência “sombria” da economia está em pauta, as reportagens diárias sobre o seu eixo central – de que o crescimento é bom – passam incontestadas.

Quando se lida com a economia, o equilíbrio jornalístico é simplesmente abandonado. Por quê? A melhor resposta é que esse tipo de economia não é uma ciência de forma alguma, mas sim uma doutrina. Questionar a ciência predominante lhe faz, muitas vezes, um cientista. Questionar uma doutrina faz de você um herege, e os hereges são excomungados.

Chegou o momento de questionar. Agora, o peso da prova recai sobre aqueles que prometem um crescimento sem fim, em demonstrar como tal coisa seria possível. Certamente, essa criação humana não se encaixa nas leis da natureza.

Dinheiro não resgatará ATWA. Dinheiro não irá trazer de volta o ar, as árvores, a água e os animais que se foram, trocados por pedaços de papel que movimentamos em nosso sistema de economia. Sem ATWA, não existe vida nesse planeta. Não existe economia, não existe passado nem futuro, e não existe Deus.

Para ler a matéria original, clique aqui

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© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 01/02/2010.

3 Respostas to “Crescimento econômico e o fim da vida na Terra”

  1. […] https://atwabrasil.wordpress.com/2010/02/01/crescimento-economico-e-o-fim-da-vida-na-terra/O modelo foi publicado e se tornou conhecido como “Relatório de Limites do Crescimento”. […]

  2. Pena que ninguem faça nada para mudar o que esta a acontecer, as companhias petroliferas e toda uma economia baseada no consumo de combustiveis fosseis irá ditar o fim da humanidade, e ai todos os nossos sonhos de exploração espacial, tecnologia, conhecimento será perdido para sempre.
    Não querendo ser intrigista, não acham isto apenas um grande esquema de um determinado grupo de pessoas que querem eliminar grande parte da população mundial, eu sei que parece tirado de um filme mas…

    • Obrigado pelo comentário.

      Irmão, seria bom se fosse mesmo isso, mas infelizmente não é o que parece. A mente do dinheiro vive há muito tempo, e somente no presente momento é que estamos colhendo os resultados disso.

      Uma idéia sobre isso é: se tivéssemos 100 milhões de pessoas em um planeta, não existiria um nível de consumo que fosse um problema para a Terra. Com 7 bilhões de pessoas no planeta, não existe como não ter problemas. O homem, vivendo com a mentalidade que ele tem hoje, não fará mais parte da Terra no futuro. Não existe como.

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