Em guerra contra os biopiratas

Os países ricos funcionam como biopiratas, saqueando terras distantes por alimento, matérias-primas e mão de obra barata. Eles saqueiam outros ecossistemas mais ricos porque já em grande parte destruíram os seus próprios. Além disso, os biopiratas parecem unidos para bloquear esforços globais para apontar o dedo para a verdadeira razão de o porquê o ritmo de extinções hoje ser mil vezes mais elevado do que o natural do planeta Terra.

Os políticos europeus, biopiratas de paletós, se disseram “chocados” ao saber que apenas 17% dos ecossistemas da Europa estão em “boa forma”. O alarme soou essa semana, no último dia da Conferência da ONU de Políticas de Biodiversidade e Ciência, em Paris. Ainda assim, é interessante ver como existe a cautela – ou falta de informação – sobre o funcionamento dos nossos sistemas de suporte de vida. Quer dizer então que 17% dos ecossistemas europeus estão em “boa forma”? E o que seria “boa forma”? Toda a vida da Terra é uma única vida. Correto seria afirmar que “resta aos europeus 17% da sua vida” – simples assim. Não existe nada em “boa forma” quando 83% do que é vivo foi assassinado por práticas humanas.

De fato, a maioria dos sistemas naturais da Europa, que fornecem serviços essenciais como comida, ar puro, água e regulação do clima, está em declínio há anos. Acontece que poucas pessoas na Europa realmente reconhecem esse fato. Isso porque os ricos são “pessoas da geosfera”, que se ajudam com serviços ecológicos por todo o mundo. Os pobres, por outro lado, são “pessoas do ecossistema”, que dependem diretamente dos recursos locais para a sua subsistência. O povo do ecossistema não pode pagar – ou não pensa em pagar – para obter a sua água ou comida em outros lugares. Assim que os seus próprios ecossistemas se degradam, essas pessoas sofrem as conseqüências diretas desse desequilíbrio.

Essa é a razão principal das regiões com maiores quantidades de biodiversidade – onde a natureza é mais rica e menos degradada – serem as terras controladas por povos indígenas, disse Victoria Tauli-Corpuz, presidente do Fórum Permanente das Nações Unidas de Questões Indígenas. “Enquanto os povos indígenas vivem em áreas mais ricas em biodiversidade, ainda somos os mais pobres dos pobres”, disse ela.

Ironicamente, o sistema econômico atual não valoriza a natureza ou os sistemas de vida do planeta. Uma árvore é um bem de valor muito maior do que o seu valor como madeira, mas nós simplesmente não sabemos como integralmente valorizar uma árvore ou uma floresta. Quando árvores se transformam em móveis, elas adquirem valor. Isso é uma doença do ser humano, uma ilusão e um crime contra a vida. Estimativas recentes definiram o “valor anual da natureza” em múltiplas vezes o valor da atual economia global. A idéia que se começa a considerar é de reformar o sistema econômico nesse caminho. De qualquer maneira, estabelecer um valor em dinheiro sobre a natureza é um grande erro, que permite os negócios continuarem normalmente, até abrindo novas áreas de comércio, ao invés de realmente compreender a insignificância do ser humano perante os outros animais e seres vivos.

Esse caminho de misturar os sistemas de suporte de vida da Terra com negócios e dinheiro é mais uma arma dos biopiratas – obviamente, sem minimizar a parcela de responsabilidade dos seus vassalos nos países apelidados de “em desenvolvimento”.

Muitas decisões políticas, ainda que chamadas de “verdes”, são feitas sem levar em conta os impactos sobre a biodiversidade. Por exemplo, as políticas governamentais que estimulam e subsidiam o uso de biocombustíveis e de energia de biomassa para reduzir as emissões de carbono, em grande medida avançaram com pouca investigação sobre os impactos potenciais nos ecossistemas. Vegetações naturais são assoladas para a instalação de plantações intermináveis de monoculturas, e todos os sistemas vivos são eliminados de uma só vez. Fala-se muito das vantagens do produto final, mas pouco sobre todo o processo que antecede isso. As instituições, os governos e a opinião pública têm uma visão fragmentada do mundo, e esses fatores, unidos, são os que determinam a perda de biodiversidade.

Enfim, a biodiversidade não é uma prioridade para os governos dos países economicamente ricos. Provavelmente em função dos seus sistemas naturais terem sido devastados com o passar do tempo, tudo em nome do progresso e do desenvolvimento, o que lhes resta hoje é usar a consciência geral do povo com relação à causa do meio ambiente para gerar novos ramos de negócios. Os biopiratas da Terra continuarão com a pilhagem das riquezas naturais do planeta sem o conhecimento prático dos danos causados. No final, é preciso mudar mentalidades, valores e ética.

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© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 04/02/2010.

2 Respostas to “Em guerra contra os biopiratas”

  1. Talvez se no Brasil tivesse existido um Charles manson no solo patrio não seria territorio dominado por piratas,meu interesse por Chales manson se deu pelo filme,mas meu interesse maior é pelas odeias de pessoas q passaram pelo mundo com uma odeia diferente da q é nos é colocada guella abaixo,como na historia da papinha do bebe,muitos tem um Charles manson dentro de si, mas poucos tem a coragem de coloca-lo pra fora.

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