Águas amazônicas traficadas

Considerando o caso da Amazônia, que ainda veste a bandeira desse país, existem muitos crimes contra ATWA que são comentados com certa freqüência: a destruição das matas, o tráfico de animais e plantas, e a construção de hidrelétricas (Belo Monte, por exemplo). Que o homem está em guerra contra a vida não é novidade – todos os dias, uma parte do que compõe a unicidade da vida na Terra é transformada em dinheiro. Charles Manson diz: “Guerra contra a poluição, guerra contra o problema, e não guerras contra a vida”. Essa lição tão simples e clara ainda não foi compreendida pela maioria dos seres humanos, que ainda cegamente se posicionam acima das outras vidas do nosso planeta. Acontece que nessa guerra contra a vida, os homens também estão em guerra homens contra homens. É o que acontece com outro tipo de agressão ambiental que tem ocorrido na Amazônia: o tráfico de água doce.

Nesse caso, de homens para homens, os inimigos são os hidropiratas. Enquanto a luta pela vida se torna mais evidente a cada dia, homens começam a lutar contra si para salvar o resto dos sistemas de suporte de vida que permanecem úteis. Os navios hidropiratas levam junto com a água que traficam, peixes e outras espécies de animais. A captação é feita por petroleiros na foz do rio ou dentro do curso de água doce. O tráfico é facilitado pela grandiosidade da natureza local, uma vez que somente no local de deságüe do Amazonas no Atlântico são 320 quilômetros de extensão, dentro do território do Amapá. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área e pela profundidade média, em torno de 50 metros, que possibilita o trânsito de grandes navios cargueiros.

Além das questões de soberania que o caso envolve, os traficantes ainda tem um lucro extra: ao contrário do processo de dessalinização de águas subterrâneas ou oceânicas, a água doce pode ser facilmente tratada. Ou seja, para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representa uma grande economia. O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, que trata as águas do Rio Negro que abastecem Manaus, confirma: “Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”. Mais uma vez, a guerra do homem contra a vida em troca de dinheiro.

Dois terços do planeta são ocupados por oceanos, mares e rios, mas somente 3% desse volume é de água doce. Um índice baixo, ainda mais se for excluído o percentual encontrado no estado sólido (em geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras). Atualmente, na superfície da Terra, a água em estado líquido representa menos de 1% do total disponível. Enquanto isso, as pessoas continuam gastando água sem compreensão sobre as conseqüências que virão, adiantando o dia em que Helter Skelter irá prevalecer em todos os cantos do planeta. Será tarde demais, e reconhecer o erro não resgatará ATWA. Charles Manson diz: “As pessoas têm crescido maiores do que Deus porque elas simplesmente não temem. Não temem pelo menos a perda da água limpa ou do ar limpo. Elas sacrificam a natureza por alguns dólares”. Pois é, mas dinheiro não vai garantir a sua sobrevivência.

A Amazônia é um bem estratégico para a sobrevivência, uma segunda chance para os homens acordarem para a realidade de ATWA e entrarem em linha. A Amazônia é a maior bacia existente na Terra, e detém a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes. Diante desse quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva. As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil, e sua importância para o futuro da humanidade é fundamental. A humanidade quer sobreviver? Reconheça ATWA, e entre em linha!

Entre 1970 e 1995, a quantidade de água disponível para cada habitante da Terra caiu em 37%. A queda na disponibilidade de água se tornou ainda mais acentuada desde então, com o crescimento populacional. A água está acabando, mas as pessoas continuam se reproduzindo normalmente e não alterando as suas práticas de consumo – um ciclo contínuo a caminho da destruição. Atualmente, cerca de 1,4 bilhão de pessoas já não têm acesso a água potável. Hoje, somente o Rio Amazonas e o Rio Congo podem ser qualificados como “limpos”. Essa mudança drástica não aconteceu da noite para o dia, mas foi muito mais rápida do que o que era esperado. Isso explica o início dessa prática da hidropirataria, e a Amazônia é logicamente o alvo ideal a ser atacado.

Os homens não compreendem, porém, que eles estão somente adiantando a sua própria destruição. Charles Manson diz: “Ao invés de colocar um homem na lua, vamos tentar colocar um aqui na Terra”. É isso mesmo: nós precisamos acordar para o que é simples de entender. Toda a água é uma única água. Devemos tratar cada gota de água como se fosse uma parte do todo da vida, do qual nós somos apenas uma pequena parte. Enquanto os seres humanos não acordarem para a realidade de que eles só têm a si mesmos para contar agora, que o resto está sendo destruído em um ritmo mais acelerado do que ATWA é capaz de recompor, sem isso a ordem será restabelecida com violência e banhos de sangue – e ninguém terá a chance de dizer que não foi avisado.

Para ler a matéria original, clique aqui

© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 09/02/2010.

Uma resposta to “Águas amazônicas traficadas”

  1. O mundo está se acabando, e parece que nós mesmos iremos cavar a nossa sepultura.

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