Charles Manson: O último filósofo

Abaixo, um artigo interessante publicado pelo filósofo americano Robert Mann. A tradução não está literal. Algumas alterações foram feitas para que o sentido do texto se tornasse mais claro.

“Ao ler livros como “O Estrangeiro”, o mais famoso romance de Albert Camus, ou os trabalhos de Sartre, eu nunca poderia entendia porque os escritores existencialistas aceitavam tantas sutilezas anglo-européias. Alguns até usaram suas reputações e assinaturas em apoio à moralidade de certas causas universais. Embora o retrospecto benéfico da história esteja do nosso lado agora, há um elemento desonesto em declarar a independência de Deus mas ainda respeitar tão estreitamente uma cultura judaico-cristã e o seu senso de moralidade.

Nietzsche trouxe o foco para as várias filosofias modernistas, não declarando que Deus está morto, mas apresentando o Übermensch, ou Super-homem. O divórcio de Deus era apenas parte da experiência pós-moderna – viver além de qualquer limite moral externo e responder apenas aos editais do ego individual marcava o potencial do homem moderno. Religião e códigos morais faziam parte do reino dos homens fracos, sem a força da ambição. Embora as palavras de Nietzsche tenham reverberado por gerações, a última década da sua vida foi vivida com humildade e uma doença mental grave, sob os cuidados de sua mãe e irmã.

Se houve qualquer encarnação do Übermensch ao longo da história do tempo, Charles Manson é certamente um deles. A internet está repleta de entrevistas de Manson, como a de 1988 com Geraldo Rivera, que culminou com a seguinte declaração de Manson: “Eu não quebro leis, eu faço as leis. Eu sou o legislador”. Os assassinatos que Manson observou e essa afirmação reflexiva representam um duplo “tiro ouvido pelo mundo inteiro” para a filosofia moderna. Primeiro, o Super-Homem de Nietzsche tomou uma forma humana. Depois, o pós-modernismo foi transferido da intelligentsia ao homem comum.

Enquanto eu aprecio meus estudos da faculdade de filosofia moderna do ponto de vista da arte e da evolução do pensamento, sempre houve a suspeita para a divisão entre pensar e viver. Não, não é necessário viver todos os nossos próprios pensamentos, mas projetar um paradigma para a existência vem com certas expectativas. Se uma definição de vida não pode ser adotada pelos seus defensores primários, talvez deva ser então reclassificada como algo menos grave ou, pelo menos, menos real.

Estas palavras não são de forma significava para lançar aspersão sobre a genialidade ou habilidades dos autores mencionados. A poesia de suas escritas e pensamentos tem uma beleza austera para qualquer leitor. É o fruto do seu trabalho acumulado, que convida as questões de autenticidade e de horror. Seja existencialista, pós-modernista, humanista secular, ou qualquer outro título relacionado, para o verdadeiro crente, Charles Manson é o escolhido.”

Para ler a matéria original, clique aqui

© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 10/02/2010.

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