A suástica de ATWA

Se existe um comentário que é repetido mais vezes que outros entre os interessados (ou não) em ATWA e Charles Manson é a questão da suástica. O poder de expressão desse símbolo é realmente intenso, e não é à toa que ele tem sido usado a milhares de anos por diferentes povos ao redor do planeta. Acontece que muitas pessoas, provavelmente programadas pelos seus professores e livros, filmes e mídia em geral, referenciam a suástica somente ao breve período da cultura alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Isso se deve, entre outras coisas, pela quantidade de imagens da guerra em que a suástica aparece – imagens assim não existem da suástica original, aquela de milhares de anos atrás. Existem também outros fatores, é claro, como a demonização de todo um sistema ideológico, a compra e venda da guerra por aqueles que, em teoria, foram vitoriosos, entre outros. De uma forma ou outra, o que nos interessa aqui é contextualizar um pouco mais a suástica de ATWA.

Compreendendo o termo “suástica”

O termo “suástica” deriva da língua sânscrita, ou simplesmente sânscrito. A palavra original seria algo como “svastika”. Ela é formada do prefixo “su-“, significando “bom, bem” e “-asti”, uma forma abstrata para representar o verbo “ser”. “Suasti” significa, portanto, “bem-ser”. O sufixo “-ca” designa uma forma diminutiva, portanto “suástica” pode ser literalmente traduzida por: “pequenas coisas associadas ao que traz um bom viver (ser)”.

Geometria da suástica

Sentido anti-horário

Sentido horário

 

 

 

 

 

 

 

A suástica é classificada como uma cruz. Geometricamente, ela pode ser definida como um icoságono (polígono de 20 lados) irregular. Os “braços” têm largura variável e são freqüentemente retilíneos (mas isto não é obrigatório).

Existem inúmeras variações da suástica. As variações podem ser de sentido de rotatividade (sentido horário ou anti-horário), de sentido (com o braço superior apontado para a direita ou para a esquerda), invertida ou não, etc. São inúmeras variações porque são inúmeros símbolos – ele se desenvolveu por todo o mundo, mas não paralelamente, com sentidos muitas vezes semelhantes, mas nem sempre idênticos, como veremos a seguir.

Também vale a pena lembrar que não existe tal coisa como “a suástica hindu” ou “a suástica nazista”. Diferentes povos adotaram o símbolo com conotações dos seus momentos, que refletiam sentidos e necessidades das suas épocas. É impraticável reduzir o símbolo da suástica a um único momento na história, porque isso induz que alguma pessoa ou povo alguma vez tomou conta da definição desse símbolo milenar.

As inúmeras variações da suástica não dão á suástica um novo nome, uma nova simbologia. O símbolo é um único símbolo, com suas variações em formatos e sentidos, mas ainda assim, um único símbolo. A suástica é a suástica.

Variações de simbolismo

Ritual Hindu da Suástica

As variações de simbolismo são infinitas, mas existe um padrão que se repete freqüentemente – uma referência às coisas naturais do planeta Terra e do universo.

Por exemplo, no hinduísmo, a suástica é incorporada em seus dois sentidos, apontada para a direita ou para a esquerda. Quando apontada para a direita, representa a evolução do universo. Para a esquerda, a involução do universo. Por também apontar para todas as quatro direções (norte, leste, sul e oeste), pode significar terra de estabilidade, ou as quatro direções cardeais.

O seu uso como um símbolo do Sol pode ser relatado primeiramente em sua representação do deus hindu Surya – o Deus-Sol. A suástica também é um dos 108 símbolos da divindade hindu Vishnu, e representa os raios do sol, do qual a vida depende.

Para o budismo, a suástica age como uma representação gráfica da eternidade. O símbolo é usado na arte e escritura budista, e representa dharma, ou harmonia universal, e o equilíbrio dos opostos.

Na China antiga, suástica também era usada como um símbolo alternativo do sol. Essa é uma das mais freqüentes referências da suástica às coisas naturais do planeta Terra e do universo. O formato da suástica, com o seu aspecto de rotatividade, freqüentemente se refere ao sol e aos raios solares que possibilitam a vida na Terra.

Na arquitetura greco-romana, a suástica freqüentemente representa o movimento perpétuo, refletindo a concepção de um moinho girando.

Os antigos armênios consideravam o sol como seu deus, e tinham rituais de adoração. Também nesse caso, a suástica aparecia constantemente como uma ilustração do Deus-Sol.

Para os povos germânicos, o símbolo da suástica é associado com Thor, deus do trovão na mitologia germânica, possivelmente representando o seu martelo Mjolnir – simbólico do trovão – e, eventualmente, está conectado à roda do sol da Idade do Bronze.

Para o cristianismo em geral, a suástica é usada como uma versão da cruz cristã, o símbolo da vitória de Cristo sobre a morte. Algumas igrejas cristãs construídas nos estilos românico e gótico são decoradas com suásticas.

Para os judeus, uma suástica incomum, composta das letras hebraicas Aleph e Resh, aparece na obra cabalística do século XVIII chamada “Parashat Eliezer”, pelo rabino Eliezer Fischl de Strizhov. Refere-se explicitamente ao poder do sol, bem como a forma do símbolo mostra um forte simbolismo solar. Nessa tradição, o símbolo se destina a ajudar um místico a contemplar a natureza cíclica e a estrutura do universo.

Enfim, essas são apenas algumas das variações de simbolismo da suástica. Obviamente, não é possível definir um único significado a esse símbolo, e é exatamente isso que permite a suástica ser tão poderosa – ela comunica além das diferenças e definições dos homens. Se existe, porém, um sentido que aparece com maior freqüência, esse é o da conexão entre o homem e as forças da Terra e do universo.

O caminho da suástica pelo mundo

Suástica em um barco Viking

A imagem da suástica foi primeiro utilizada ainda na Pré-História. Os primeiros indícios remetem ao Período Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida, na Eurásia.

As primeiras formas da suástica conservadas são datadas de cerca de 4000 a.C., em antigas inscrições européias, e como parte da escrita encontrada na região do Indo, de cerca de 3000 a.C., a qual as religiões posteriores (hinduísmo e budismo) passaram a usar como um de seus símbolos.

Na Idade Antiga, a suástica foi usada amplamente pelos indo-arianos, hititas, celtas e gregos, dentre outros. Em especial, a suástica era um símbolo sacro do hinduísmo, budismo e jainismo. Ela ocorre em outras culturas asiáticas, européias, africanas e indígenas americanas – eventualmente como símbolo religioso.

A suástica também foi usada por alguns dos povos americanos. Foi encontrada em escavações junto ao rio Mississipi, como no vale do rio Ohio, e era usada por muitas tribos norte-americanas, com destaque pelos Navajos. Também é um símbolo bastante antigo na cultura Kuna, de Kuna Yala, no Panamá. Para eles, a imagem lembra o polvo que criou o mundo: seus tentáculos, voltados para os quatro pontos cardeais, deram origem ao arco-íris, ao sol, à lua e às estrelas.

O símbolo tem uma história bastante antiga também na Europa, aparecendo em artefatos de culturas européias pré-cristãs. O símbolo era usado em moedas do século XIX como referência a uma cunha usada como calço nas janelas das igrejas medievais, e aparece como ornamento em muitos artefatos pré-cristãos, tanto com as pontas viradas para a esquerda como para a direita. Motivos similares, dentro de círculos ou formas arredondadas, foram também interpretados como formas da suástica.

O símbolo nórdico denominado “Cruz do Sol” ou “Roda do Sol”, forma habitualmente interpretada como uma variante da suástica, aparece freqüentemente na arte antiga desse povo europeu. Também foram encontradas formas semelhantes em artefatos alemães antigos, como uma ponta de lança encontrada em Brest-Litovsk, Rússia, ou a pedra de Snoldelev, em Ramsø, Dinamarca.

As religiões neo-pagãs Asatru e Heathenry germânicas a forma da suástica é freqüentemente usada como símbolo religioso.

No começo do século XX, a suástica era amplamente utilizada em muitas partes do mundo, considerada como amuleto de sorte e sucesso.

Enfim, a suástica vive a pelo menos 10 mil anos. Pensando assim, é simples compreender que limitar a compreensão desse símbolo milenar à breve história da Segunda Guerra Mundial é, no mínimo, um sinal de ignorância. A suástica traçou o seu caminho pelo mundo por milhares de anos – antes de as culturas atuais serem as culturas atuais, a suástica já era a suástica.

A suástica de ATWA

A suástica de Charles Manson

A suástica de ATWA é a suástica de Charles Manson – simples assim. Como foi demonstrado anteriormente, diferentes povos, em diferentes lugares, de diferentes épocas, adotaram a suástica como símbolo. Charles Manson adotou a suástica como símbolo durante seu julgamento (1969-1971) e subseqüente condenação à morte.

Nada melhor do que o próprio homem para definir o seu próprio símbolo. Charles Manson diz: “Essa suástica para mim são quatro ‘L’ – uma roda, um círculo do sol. Um símbolo da completa eternidade, para sempre: o pai, o chefe, conhecer a paz, amizade, verdade, sabedoria”. Obviamente, a suástica de Manson tem um aspecto místico.

Charles Manson diz: “Quando eu fui para o julgamento, e um monte de assassinatos estavam acontecendo, eu marquei todas as minhas cabeças. As cabeças que estavam no mesmo suor, no mesmo esforço – ar, árvores, água e animais, como a minha vida”. Ou seja, Charles Manson adotou a suástica, rasgada em sua testa para a eternidade, inicialmente para marcar a distinção entre aqueles que estavam sendo acusados de assassinato, e aqueles que estavam assassinando. Duas mentes diferentes, duas intenções. As cabeças do mesmo suor: ATWA – ar, árvores, água e animais.

Charles Manson diz: “Esse é um símbolo das pessoas que nunca foram derrotadas”. Um símbolo de resistência, de martírio, quem sabe, mas nunca de derrota. Em ATWA, não existe derrota. ATWA, o sistema de suporte de vida desse planeta, a vontade de Deus, não é possível de se derrotar, porque sem ATWA não há vida – não há um vencedor.

Charles Manson diz: “As pessoas colocaram o símbolo em Hitler, mas Hitler colocou-se sobre ele. Quando eu o peguei, estava comigo no fundo, discriminado e indesejado”. De fato, as pessoas ignorantes que ousam expressar suas opiniões infundadas sobre a suástica de Charles Manson freqüentemente se referem a Adolf Hitler e ao governo alemão do período da Segunda Guerra Mundial. Para quem sabe o mínimo sobre a suástica, seria até vergonhoso perder tempo para responder a tais argumentos. Manson sabia do peso da sua decisão de resgatar a suástica da escuridão do corredor da morte.

Charles Manson costuma se referir à suástica tatuada em sua testa como o seu pai. Isso se refere aos homens que retornavam dos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, e que de volta aos Estados Unidos trabalhavam como oficiais e guardas nas prisões em que Manson vivia. Charles Manson diz: “Eu fui a minha própria mãe. O meu pai era o sistema [penitenciário]”. Ele foi criado por esses homens na prisão e, portanto, o símbolo também marca esse momento importante.

Para ATWA, a suástica também pode ser vista como um símbolo da continuidade da vida. Cada “braço” do símbolo como uma das estações do ano, a totalidade do tempo – a eternidade. Um símbolo de luta e ordem, com certeza, mas para a eternidade. O infinito existe e sempre existirá, mas ele é construído no “agora”. ATWA, uma guerra contra a poluição, agora!

© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 08/04/2010.

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