A conexão entre alimentação e violência

“Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.”
-Pitágoras de Samos (570 – 497 a.C.)

Há mais de 2500 anos, uns poucos entre muitos tinham a sabedoria inata sobre as regras da natureza – as leis de ATWA, da harmonia e da sobrevivência do todo da vida nesse planeta. Para todos os homens, trata-se de uma lógica simples: comer animais é ter cumplicidade em um assassinato de um ser vivo desconhecido e inocente. Mas é necessário ser mais do que um ser humano comum para compreender, aceitar e agir de acordo com a resposta moral para essa lógica. Afinal, como é que o homem reclama de violência nas cidades quando ele pratica assassinatos todos os dias ao comprar e consumir vidas perdidas? Existe uma linha de sabedoria inata que separa aqueles que entendem esse fenômeno daqueles que lêem em argumentos como esse simplesmente um caso de “loucura”.

O homem se alimenta com violência todos os dias. Alguns praticam os crimes eles mesmos, mas a maioria depende de assassinos contratados para que os animais cheguem às casas com aspecto purificado, com pouca semelhança ao momento em que deixaram de viver. E as pessoas se alimentam com a morte dos outros, e dizem não compreender a sempre presente violência pelas ruas. Tirar a vida de um ser humano é tão imoral quanto tirar a vida de uma vaca, um porco ou uma galinha. Os gritos de “socorro” do homem, quem sabe, nos afeta mais do que os uivos dos animais, mas isso é somente uma questão de compreensão dos sons. Ambos gritam pela vida, com vontade de viver. Sendo assim, não é somente criminoso o homem que pratica tal crime, mas também burro, ingênuo, impróprio e impuro. Há mais de 2500 anos, os sábios eram os sábios e os ordinários eram ordinários.

O argumento de Pitágoras em favor da dieta sem animais tem três “pontas” (como um triângulo):
– Veneração religiosa
– Saúde física
– Responsabilidade ecológica

Essas razões continuam a ser citadas até hoje. Enquanto sempre houve vegetarianos na população mundial, muitos escolheram esse caminho mais por necessidade do que por preferência. O mundo medieval considerava vegetais e cereais como comida para animais. A carne era símbolo de status da classe alta: quanto mais alguém comia carne, mais elevada era a sua posição na sociedade – de forma que somente a pobreza compelia as pessoas à substituição de carnes por vegetais.

Vegetarianismo é com frequência ligado a religião, e segundo alguns argumentos, a força dessa relação parece se vincular diretamente à longevidade de cada credo religioso. O relativamente jovem Islam (1300 anos), por exemplo, não tem cultura vegetariana forte. Os budistas, por outro lado, seguindo os princípios de não-violência, têm praticado vegetarianismo por 2500 anos. O Hinduísmo possui princípios vegetarianos que datam de 5000 anos. Judeus citam uma passagem bíblica como prescrição da dieta original:

“E Deus disse, Eu vos dei cada semente de erva, que estão por toda a terra, cada árvore, nas quais estão os frutos de semente; para vocês elas servirão de comer” (Gênesis 1:29).

Evitar o consumo de carne e jamais comer porco ou mariscos era uma provação (símbolo de pesar e tristeza), voltada também para a restrição dos desejos e prazeres do corpo. O Cristianismo primitivo, com suas raízes na tradição judaica e no paganismo europeu, via o vegetarianismo de maneira similar – um jejum modificado para purificar o corpo: evitar a carne é uma forma de reforçar a disciplina e a força de vontade necessária para resistir às tentações. Isso tornou as restrições dietéticas muito comuns no comportamento cristão da época. E essa crença foi passada adiante, ao longo dos anos, de uma forma ou de outra – por exemplo, a proibição de carne (exceto peixe) da Igreja Católica Romana nas sextas durante a Quaresma.

Enfim, parece existir uma clara conexão entre a sabedoria do homem, o avanço espiritual de acordo com a sobrevivência, e o verdadeiro combate à violência. É necessário ter uma inteligência inata para compreender a importância do respeito ao todo da vida, e somente esse respeito pode afastar a violência do homem. O homem que se alimenta com violência não é capaz de escapar de ser violento, porque ele conscientemente aceitou esse papel. Acontece que a maioria das pessoas não é capaz de enxergar isso – elas roubam vidas, e reclamam da insegurança das cidades. Um paradoxo da ignorância, quem sabe.

Para ATWA, todas as vidas são uma única vida. Ar, árvores, água, animais – o sistema de suporte de vida do nosso planeta. O homem deve respeitar essa lei simples, resgatar e pagar pelos crimes cometidos contra a vida, e esse é o verdadeiro caminho para a salvação. A crença para chegar a esse ponto não interessa – o importante é compreender que o respeito à vida é algo sagrado, além do mundo material que nos cerca. Se não for feito em paz, será feito com violência e ódio, e que não exista dúvidas disso. Os soldados da vida estão ansiosos.

Mas enquanto isso, uma imagem de bronze de Pitágoras tem vista para o porto antigo de sua aldeia homônima, Pitágoras, na ilha grega de Samos. Mais de 2500 anos se passaram desde que ele se sentou sobre estas margens, e questionou o significado da vida. Ironicamente, é quase impossível encontrar uma refeição vegetariana em qualquer um dos restaurantes que circundam o cais do porto hoje. Pitágoras ainda seria gratificado de saber como amplamente sua doutrina vegetariana se espalhou, mas talvez um pouco decepcionado que é pelo seu teorema matemático que ele é mais lembrado.

Um homem sábio, em meio ao caos dos ignorantes, e um esboço da conexão entre a alimentação e a violência.

Para ler a matéria original, clique aqui

© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 19/04/2010.

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