Eugenia em síntese (Parte 5)

Continuamos com as cinco questões para dissecar a questão da inteligência na hereditariedade. Nessa quinta parte da série, lidaremos com a questão número quatro:

4. No momento, estamos a evoluir para se tornar menos inteligentes a cada nova geração.

Por centenas de anos, até o início dos anos 1800, na Inglaterra e nos Estados Unidos havia a fertilidade natural, ou seja, nenhum esforço para limitar o número de nascimentos. Os casais tendiam a ter muitos filhos, mas nem todos podiam se casar. Homens que não ganhavam o suficiente para sustentar a família permaneciam solteiros e sem filhos, e o resultado líquido disso era uma relação positiva entre a baixa fertilidade e a inteligência. Em seguida, vários livros foram publicados sobre a contracepção que, naturalmente, afetaram desproporcionalmente aqueles que sabiam ler. Preservativos e diafragmas se tornaram disponíveis, e a taxa de natalidade das classes média e alta diminuiu. Em meados do século, tinha se tornado evidente que as pessoas educadas tinham menos filhos do que as iletradas.

Isso causou grande alarme, e uma série de estudos foram realizados nas primeiras décadas do século 20 nos Estados Unidos para compreender a situação. O QI das crianças em escolas correlacionava-se negativamente com o número de seus irmãos, o que pareceu confirmar os temores de fertilidade disgênica, mas essa conclusão foi questionada porque não havia maneira de saber precisamente o QI dos filhos. Posteriormente, alguns estudos relacionando o QI de adultos e seus números de filhos relataram correlações negativas, mas outros estudos semelhantes não encontraram nenhuma correlação. No entanto, as amostras utilizadas em todos esses estudos não foram representativas da população dos Estados Unidos como um todo – eram restritas, quer em termos de raça ou área geográfica. Assim, na segunda metade do século 20 não havia ainda qualquer resposta definitiva para a questão da fertilidade disgênica.

Em 1984, Frank Bean e Marian Van Court tiveram a sorte de descobrir um excelente conjunto de dados, o General Social Survey (GSS), para testar a hipótese. Ela incluía um pequeno teste de vocabulário elaborado por Thorndike para fornecer uma classificação aproximada da capacidade mental que era ideal para o estudo. O GSS entrevistou uma amostra grande, representativa da população dos Estados Unidos, cuja reprodução nos anos entre 1912 e 1982 caiu, gerando dados que forneceram a oportunidade única de uma visão global da relação entre a fertilidade e o QI para a maior parte do século 20. Em todos os 15 grupos de pessoas estudadas, as correlações entre os resultados do teste e o número de filhos foram negativas, e 12 dos 15 foram estatisticamente significativos (Van Court e Bean, 1985).

Mais recentemente, Richard Lynn e Marian Van Court fizeram um novo estudo de follow-up que incluiu novos dados coletados em 1990 pelo GSS, e conseguiram resultados muito semelhantes. Os cientistas calcularam que 0,9 pontos de QI foram sendo perdidos por geração (Lynn e Van Court, 2003). Para descobrir o quanto foi perdido de QI durante o século 20, podemos simplesmente multiplicar 0,9 por 4 gerações, ou seja, 3,6 pontos de QI. Não existem dados precisos para a última parte do século 19, mas não há qualquer indicação de que o período entre 1875 e 1900 tenha sido seriamente disgênico.

Assim sendo, como uma áspera (mas conservadora) estimativa de perda total em um período de 125 anos, podemos multiplicar 0,9 por 5 gerações, ou seja, 4,4 pontos de QI perdidos a partir de 1875 até o presente momento. Uma perda dessa magnitude iria aproximadamente dividir pela metade aqueles com QI superior a 130, o dobrar aqueles com QI abaixo de 70 pontos.

No livro Dysgenics: Genetic Deterioration in Modern Populations, Richard Lynn (1996) observou que a fertilidade disgênica é a regra, e não a exceção, ao redor do mundo. Não houve muitos estudos feitos na Europa, mas o caso parece ser semelhante aos Estados Unidos em termos da gravidade da tendência disgênica. O único lugar onde a fertilidade disgênica não foi encontrada é a África subsaariana, onde o controle da natalidade não é usado.

Como o leitor pode ter começado a suspeitar, a razão principal para a fertilidade disgênica é que as mulheres inteligentes usam o controle da natalidade com mais sucesso do que as mulheres pouco inteligentes. Esse parece ser o caso, independentemente de qual método é usado. Mulheres de alto, médio e baixo QI todas querem, em média, o mesmo número de filhos, mas as mulheres de baixo QI têm gravidezes muito mais acidentais e, portanto, produzem mais filhos.

Na próxima parte da série, entraremos em maior detalhe na questão número cinco: a menos que esta tendência pare, a nossa civilização seguirá invariavelmente para o declínio.

Para ler a parte quatro da série “Eugenia em síntese”, clique aqui

© 2010 ATWA Brasil

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~ por ATWA Brasil em 07/06/2010.

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